Uma pesquisa encomendada pela Heineken em parceria com a Box 1824 indica que, em um ambiente cada vez mais mediado por algoritmos, o convívio presencial segue como principal fonte de interação social para os brasileiros.
O levantamento mostra que 52,6% dos entrevistados afirmam que o “olho no olho” é o que mais recarrega a chamada “bateria social”. O dado aparece em um contexto de crescente digitalização das relações, em que plataformas e sistemas de recomendação influenciam escolhas de lazer, consumo de conteúdo e interações cotidianas.
Além do contato presencial, outras atividades aparecem como formas de equilíbrio. A prática de exercícios físicos é mencionada por 47,9% dos entrevistados, enquanto 34,8% dizem buscar novas experiências fora da zona de conforto.
Em contraste, apenas 13,3% apontam interações digitais, como curtidas e comentários, como fonte de energia social, e 15,7% citam comunidades online.
Os dados indicam uma diferença entre o papel funcional dos algoritmos e o valor atribuído às experiências fora do ambiente digital. “Embora o algoritmo facilite conexões e organize a rotina, é no encontro presencial que as pessoas encontram meios mais consistentes de recarregar sua energia social”, aponta o material da pesquisa.
O estudo integra o ecossistema da campanha “Algoritmo”, iniciativa da cervejaria que propõe uma reflexão sobre o impacto das recomendações automatizadas no comportamento. A comunicação sugere a quebra de padrões repetitivos e incentiva a busca por experiências fora das bolhas digitais.
A pesquisa também dialoga com uma tendência observada por consultorias de comportamento: o aumento da busca por interações físicas como resposta ao excesso de mediação tecnológica. Nesse cenário, o contato presencial passa a ser percebido como alternativa para relações mais diretas e menos filtradas por sistemas digitais.
Segundo a Box 1824, o movimento reflete uma tentativa de reequilibrar a relação entre tecnologia e vida social. A leitura é que, diante de um ambiente cada vez mais organizado por algoritmos, cresce o interesse por experiências que escapam à lógica da previsibilidade.
O levantamento ouviu mais de 1.000 brasileiros e conectores culturais para analisar hábitos de socialização e o impacto dos algoritmos no comportamento online e offline, em contextos como bem-estar, vida noturna e festivais. A íntegra do estudo será apresentada em abril.
5 lições para as marcas
Veja abaixo como a preferência pelo “olho no olho” expõe limites do digital e exige ajustes na forma como marcas constroem relevância.
1. Experiência presencial volta ao centro
Se 52,6% dizem que o “olho no olho” recarrega a energia social, eventos, ativações e pontos físicos ganham peso como ativo de marca — não só para alcance, mas para vínculo.
2. O digital vira meio, não fim
Algoritmos seguem relevantes para distribuição e escala, mas o papel muda: direcionar pessoas para experiências fora da tela. Ficar só na performance pode reduzir construção de marca.
3. Conteúdo precisa gerar ação
Curtidas e comentários têm baixo impacto (13,3%). Conteúdo passa a ser gatilho de comportamento: sair, encontrar pessoas, testar algo novo.
4. Quebrar bolhas amplia crescimento
Sair da repetição algorítmica abre espaço para expandir público, acessar novos territórios culturais e reduzir dependência de segmentações restritas.
5. Branding sustenta valor
Em mercados pressionados por preço, conexão construída fora do digital ajuda a sustentar percepção de valor. Experiência é menos comparável do que produto no feed. Ou seja, a atenção pode estar no algoritmo, mas a construção de marca volta para as conexões reais.
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